Give the People What They Want
Jimmy Cliff
R$ 45,00
Selo/Gravadora: WEA
Ano de lançamento: 1981
Ano de prensagem: 1981
Origem: Brasil
Peso: 205,00g
Situação Capa: EX - Excelente
Situação Vinil: NM - Quase Perfeito
Tags: Bob Marley

Texto em desenvolvimento.
Você fala em Jimmy Cliff e lá vem a porrada. Te espinafram com porções de desinformado, vazio e fútil. Lembram-se logo daquele jamaicano a andar pelo Brasil, cercado de “namoradas brasileiras” e saltitando em auditórios de canastrões. Pior: lembram-se logo que o sujeito esteve “até em Vitória, no Álvares Cabral”. Sorte nossa.
Sorte nossa pois o cara está para muito longe dos clichês sacanas que o cercam. Figura pública mais proeminente da ilhota depois de Mr. Bob, é certo que caiu na vulgaridade e no ostracismo internacional nos últimos quinze anos. Como é certo que, antes, lançou pedras lapidadas de uma das quatro ou cinco melhores músicas populares do planeta. Ele foi foda, muito, e esquecer tal coisa é injustiça da grossa.
Tanto conversê para dizer que estou aqui com o seu segundo disquinho, simplesmente “Jimmy Cliff” (1969). O cara estava na batalha desde o começo dos sessenta, com giros pela Inglaterra, pelos Estados Unidos e pela América Latina, diversos compactos de sucesso lançados em sua terra e a carreira (a boa, a boa) não decolava, merda total. O mundo não sabia a pancada nos bagos que logo levaria.
Já tarimbado e escrevendo mais e melhor, jogou para o alto uma sucessão de canções colantes, brilhantes e bacanérrimas, embaladas com a ginga, o sarro e o jeitinho de um jamaicano curtido nas vielas pobres, fedorentas e duras de sua adolescência. É disco pra namorar, transar, ingerir álcool, tabaco, drogas mil, pegar o carro e rumar para aquela praia/montanha, coçar os dois ovos e gargalhar com os amigos. Ser feliz, enfim.
Disco que abre com a puta-canção-vibrante “Time Will Tell”, segue com a assassina “Many Rivers to Cross” (quase gospel, linda, arrasadora, para ouvir de joelhos e com a mão no peito) e vai bater no sucessão “Vietnam”, pacifista sem ser piegas, bruto sem ser simplista. A viagem de conversível com a namorada e os amigos continua com “Use What I Got” (uma das duas composições do disco que não assina), reggae cheio de vida e metais divinos, “Hard Road to Travel” (que exorta os cansados da guerra a permanecer na estrada, acreditando), “Wonderful World, Beautiful People” (puta vontade de subir no telhado ou sair para a rua gritando, dançando e socando o ar), “Sufferin´ in the Land” (ska menos apressadinho, te faz ter novamente menos de dez anos de idade e um monte de cagada por fazer), “Hello Sunshine” (pra recuperar o fôlego e pensar de novo na tua mina do coração), “My Ancestors” (com o órgão (uau!) mais safado que podes imaginar), “That´s the Way Life Goes” (que começa nervosa e desemboca logo de cara em vocais de benção e redenção) e “Come Into My Life” (com backing feminino matador e cheia de amor e balanço pra dar).

Ah, ainda rolam quatro bonus tracks esfuziantes: “Those Good, Good Old Days”, “You Can Get it if You Really Want” (não te lembra alguma coisa?), “Dreaming” e “Hard Road to Travel” (versão inédita). É tão bom que você pode ouvi-lo chorando, sem constrangimentos, sem patrulhas e sem horários.
Pra deixar sempre no som, pra ouvir com céu aberto e pra ouvir com nuvens, pra ouvir com a mulher de tua existência e pra ouvir com o teu filho no colo.
Da próxima vez que te disserem que o senhor Jimmy Cliff é pura cascata, ria e saia gingando por aí. A vida está aí pra ser dançada, sem vergonha. E pode ser absurdamente bela, como o sorriso do meu filho que ainda não nasceu.


Caio Dias