SOM PARA NOVAS HISTÓRIAS

Se a voz do rock’n’roll é um grito, seu primeiro som ecoa distante e sofrido dali por entre as águas tão mansas quanto misteriosas do rio Mississippi, do sul dos Estados Unidos para todo e qualquer canto do mundo. O grito representa, sim, revolta e insatisfação, mas emerge ao mesmo tempo com ritmo, batida e vibração naturalmente envolventes. De seu som, os ouvidos captam logo a mistura, a união de muitas vozes com muito o que dizer, passando do blues ao country e ainda por todas as novas experiências musicais pelo caminho. Diante de tamanha carga, solta-se por fim uma voz que carrega o dom de ser por si só história, repleta de significados, gente e sentimentos.

Num processo com quês de magia e de inexplicável, cada mínimo instante desta experiência sonora de ‘berro perfeitamente ritmado’ valoriza o resgate de memórias e a construção de novas histórias. A cada acorde, somos convidados a fazer parte e, ainda que não cientes, fazemos, construímos, porque a história é uma composição que nasce no caminho. O interesse de resgatar a memória dos vinis vem bem ao lado: surge da insensatez de apostar neste mercado das memórias afetivas, neste shopping de sentimentos e sensibilidades, na alegria descompromissada de deixar que a cada disco uma nova história se cruze - a sua história.

A Vinil Mississippi nasce com o desejo de apresentar um jeito de fazer algo que, lembrando o bom e velho Cazuza, tem a saudável petulância de ser um museu de grandes novidades: histórias, estórias, lendas e mitos que cercam a velha bolacha de doze polegadas. O que queremos é contar um trajeto, refazer um amor, revelar uma amizade, cercar um disco de pessoas; adorná-lo com cheiros, gargalhadas, choros abafados, desvios e reencontros. Queremos, em suma, que todo mundo fale. Como nas encruzilhadas do Mississippi, em que o rock foi desenhado em meio a promessas e acordos entre-mundos, queremos mais de um caminho para cada trajetória. Pegue seu violão, sente-se sob aquela velha árvore e cante conosco. Lembrando aquela canção: "Não sei pra onde tô indo/Mas sei que tô no meu caminho". E vai ser bom.