03 nov

Quando o rock ficou velho, se velho ficou?

Os 80 anos de Bill Wyman, ex-Rolling Stones.


Bill Wyman, ex-baixista dos Rolling Stones, acabou de completar seus 80 anos.
 
Quando o rock ficou velho, se velho ficou?
 
Bill, é bom lembrar, saiu espontaneamente da banda há mais de vinte anos, contentando-se com as três décadas passadas sobre os palcos e dentro dos estúdios, vendo e vivendo de dentro as maiores porra-louquices possíveis nos anos mais porra-loucas possíveis para isso (60 e 70). Viu, viveu, comeu, bebeu e voltou a comer. Era danado, o homem.
 
Diz-se que ele sequer gravou certas linhas de baixo em alguns dos clássicos da banda (Keith Richards teria tomado pra si o trabalho, insatisfeito com o que ouvia). Será? Por que não? E daí? Ainda assim é inegável que suas quatro cordas ajudaram a formar uma das cozinhas mais consistentes do rock. Pegue o balanço stoneano e veja se Charlie Watts não tinha um parceiro de fibra ao seu lado...
 
No palco, ficou famoso por ser discreto, discretíssimo, quase apagado em um dos cantos do palco, quieto, a movimentar apenas as mãos e dando, a cada trinta minutos, um sorriso que oscilava entre o tímido e o sacana. Pouco falava e pouco era procurado pela imprensa - ao menos na comparação com seus parceiros muito mais estrelados.
 
Mas, voltando à questão de início, teria o rock envelhecido? Seria hoje uma emulação de seus melhores momentos, por vezes talentosa, mas ainda assim uma emulação? Estaríamos todos vendo (ouvindo) os standards do gênero (travestidos) com a mão de tinta que mal disfarça a parede desgastada? Ou isso é só punhetagem crítica? E, a ser verdade, que relevância possui? Há alguém, afinal, reinventando a roda em algum gênero?
 
O que é factual, enfim, é o envelhecimento (inimaginável algum tempo atrás) de nossos ícones, sujeitos que estão agora à morte por doenças associadas à idade (e turbinadas, por vezes, por uma vida dissoluta, ilusoriamente romântica).
 
De qualquer modo, fellas, vovô Bill está aí, está aqui, está lá na velha Inglaterra cuspindo sobre um bolo e apagando um bocado de velinhas. E deve estar dando aquele sorriso malicioso novamente, quem sabe no canto da sala, observando a algazarra.
 
Malandro velho, malandro bom, malandro vivo.
 
Por Caio Dias
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