21 out

Woodstock: o festival que não acabou

Mais do que um festival de música, um festival de histórias


"Woodstock Nation"
 
De tal modo aquele festival marcou e batizou a tantos de uma geração que alguns, atrevidamente, imaginaram para si mesmos uma nação que mergulhasse naquela utopia. Que sequer começou com aquela pretensão. Aliás, nem seriam gratuitos os shows. Para muitos, nem foram. Ingressos foram colocados à venda e só depois, quando a multidão era algumas vezes maior que o previsto e cercas já eram arrancadas, permitiu-se que a entrada fosse liberada sem custos para o bolso (não pro bolso dos organizadores, claro) e para a saúde da rapaziada.
 
Sonhos e lendas à parte - e há toda uma mitologia cercando o evento -, o que restou de mais substancial foram as apresentações de altíssima voltagem, algumas antológicas (vide Hendrix e sua abordagem do hino norte-americano, o Who apresentando "Tommy" em primeiríssima mão, Sly Stone transformando o espaço numa imensa boate, Santana arrancando dali para o mundo).
 
Foram de tal modo marcantes que todo o amadorismo da coisa parece, hoje, contar a favor do mito. As chuvas de verão (era o mês de agosto) fizeram do gramado um sabão de lama, urina, comida e sabe-se lá mais o quê; as drogas "batizadas" (especialmente o ácido) deram uma viagem ruim a um bocado de gente. E, claro, as barracas disponíveis não deram conta da fome e da sede da turma. Pra não falar dos banheiros, entupidíssimos. Mas, enfim, tudo era parte da festa e, com o beneplácito dos anos, esse amálgama só conferiu mais charme ao espetáculo.
 
Woodstock foi o carimbo de qualidade e de auto-afirmação que muitos artistas desejavam. Glorificou a tantos, impulsionou a muitos, chancelou outro punhado. Era uma geração orgulhosa de si mesma, confiante em seu taco e em uma vaga vibe positiva. Como se os EUA não estivessem, então, enfiados em outra lama (Vietnã), a pancadaria não estivesse correndo solta nas ruas e Charles Manson e sua trupe não cortassem carnes com suas facas, demencialmente. Altamont, naquele mesmo ano e na outra costa do país, sob o patrocínio dos Stones, jogaria a pá de cal no sonho.
 
Não acabou bem, mas a diversão não foi das piores enquanto a festa rolou.
 
O resto é história. Uma ótima história, por sinal.
 
E que, incrivelmente, ainda está sendo contada.
Por Caio Dias
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